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Sexta-feira, 20 de Março de 2009
Bauhaus - a Univ e a História

Ontem tivemos direito a uma visita guiada ao edifício principal da Bauhaus em Weimar. Mais uma vez, oportunidade para aprender mais sobre a história da Universidade, da cidade, da Alemanha e do Mundo.

 

A Bauhaus para onde vim é, tal como tudo o resto neste país, uma recuperação daquilo que a bauhaus foi há 90 atrás com adaptações ao tempo actual. Mas a história e o percurso da escola é muito interessante. E o rapaz que a explicou também ajudou. Futuro arquitecto, de aspecto tipicamente alemão, era muito agradável à vista e simpático.

 

Pois muito bem.

O edifício central da Bauhaus em Weimar já existia antes do nascimento da escola. Era a sede da escola de artes que aqui existia no início do século, uma escola clássica, normal. Em 1919, Walter Gropius, julgo que a convite do duque que tomava conta da cidade na altura veio para Weimar e começou a Bauhaus.

A Bauhaus, berço de muitas ideias que revolucionaram as artes em geral, da pintura à arquitectura, pretendia ser um local de reunião das artes e das disciplinas. Gropius defendia que as artes estavam todas ligadas entre si e foi essa a filosofia da Bauhaus desde o início e foi essa filosofia que nos anos 90, quase decidiram fazer renascer a Bauhaus aqui, quiseram recuperar. Os ateliers e workshops são de livre acesso e estou mortinha para poder experimentar... A faculdade de media nasce na última década do séc XX precisamente sob o pretexto da reunião das artes para hoje me acolher.

 

Continuando, em 1919, Walter Gropius tornou-se o director-fundador da Bauhaus, escola de artes revolucionária. Esta universidade foi uma das primeiras a aceitar mulheres e as ideias partilhadas pelos professores nada tinham a ver com o classicismo a que a escola anterior e a cidade estavam habituados. Foi inovação a mais para uma cidade tão pequena. É certo que Weimar sempre foi uma cidade de mecenas e das artes mas a Bauhaus era demais para Weimar, principalmente numa altura em que o país ainda estava a recuperar da primeira guerra mundial e com uma crise a instalar-se novamente. Diz-se que os pais diziam às crianças de Weimar que, se não se portassem bem, as punham na Bauhaus. As pessoas tinham medo. E foi por isso que no início dos 20's se fez a famosa exposição da Bauhaus, com os trabalhos dos alunos num edifício projectado e construído de propósito para a ocasião, junto ao rio que divide Weimar em duas partes, o rio Ilm. E assim a população perdeu algum medo.

Com a chegada de Hitler a Weimar e ao poder nesta região, foi enviado para a Bauhaus um novo director, Nazi, que procurou apagar a Bauhaus e o seu legado. A Bauhaus mudou-se para Dessau, cidade rica e liberal e, em Weimar, o novo director, transformou a escola numa escola de arquitectura e destruiu tudo o que lembrasse a bauhaus, pinturas nas paredes dos edifícios, mobiliário e trabalhos diversos aí realizados. Hoje é possível ver algumas destas coisas graças a estudos e recuerações feitas nos anos 90. Nessa altura descobriram-se as pinturas por debaixo das camadas de tinta nazi e recuperou-se algum mobiliário. O escritório de Gropius que hoje se visita julga-se igual e no local do original graças a esses mesmos estudos.

O escritório de Gropius é, numa palavra, genial. O senhor pegou numa divisão do edificio que já existia e aplicou-lhe um tratamento arquitectónico e decorativo de mestre. Dividiu a sala de maneira a formar um cubo perfeito e cada área desempenha uma função. E eu nunca vou conseguir mostrar o quão genial era o senhor e quão genial é uma coisa tão aparentemente trivial como o seu escritório.

Depois de Dessau, com a expansão do Nazismo, a Universidade mudou-se para Berlim e, depois Chicago. Mas as diferenças culturais não a deixaram ser bem sucedida. Nos anos 90 regressa às origens. E a partir daqui já contei.



publicado por Undómiel às 22:18
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