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Terça-feira, 26 de Junho de 2012
A Carochinha e o João Ratão

Há cerca de uma ano atrás escrevia aqui sobre a minha primeira sauna e o seu valor socio-emocional. Cerca de um ano depois, volto ao país da sauna e volto, portanto, a fazer sauna. Volto a insistir em experimentar uma forma "tradicional" da coisa. Há um ano atrás, experimentei uma versão caseira e antiga. Desta vez, experimentei uma versão igualmente antiga, mas desta vez mais pública. Há um ano atrás, partilhei a sala aquecida com duas raparigas. Desta vez, partilhei a sala com dezenas de pessoas de todas as idades. A minha companhia preferida foi a senhora meia velhota mas fit, com um fato de banho discreto e um gorro típico que insistia em atirar água para as pedras. Ela não dirigiu uma única palavra àqueles que com ela partilhavam a sala naquela altura, mas parecia que queria torturar a percentagem estrangeira que a visitava naquele momento. Por momentos pensei que ela era, na realidade, uma espécie de bruxa escandinava que estava a tentar transformar todos os presentes em Joões Ratões. E depois saí da sala. E mergulhei nas águas geladas do lago mais próximo. Voltei a ser a Carochinha (se calhar porque tinha um fato-de-banho tamanho de criança e com duas listas cor-de-rosa vestidas).

 



publicado por Undómiel às 22:52
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As missas

Quando cheguei a Copenhaga fui à missa. Desde então, o meu currículo de missas não aumentou muito. Acho que as missas têm um maravilhoso valor cultural que poucas outras manifestações partilham. Talvez por isso, ou talvez por obra do acaso, ou talvez por obra do espírito santo, como diz a minha mãe, na minha mais recente visita turística à cidade onde as pessoas olham para um relógio com nome de pessoa para ver as horas, tenha ido parar a uma espécie de missa/cântico da tarde. Suponho que ir parar a um evento destes não seja muito dificil quando se é daqueles turistas que vai onde os guias indicam. O que creio que seja um pouco mais dificil é ficar na igreja onde o evento decorre até ao fim do mesmo. Foi isso que fiz.

 

Não sei se a minha catequista que dizia que eu tinha o espírito santo em mim tinha razão. Mas se tiver, o espírito santo que mora em mim está meio confuso. Fui baptizada na igreja católica, a oração e a missa mais recentes a que fui eram protestantes. E planeio que a próxima missa seja ortodoxa.



publicado por Undómiel às 22:40
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011
Os maravilhosos países com problemas psicológicos

Acho que tenho um fraquinho por países com problemas psicológicos.

Portugal, um dos, senão 'o', meu país preferido, funciona com base na corrupção e tem por canção nacional o Fado, a coisa mais melancólica que existe no planeta Terra. Além disso, Portugal vive ainda em constante depressão pós-glória (ou pós-colonialismo - em Portugal 'glória' e 'colonialismo' parecem sinónimos).

A Alemanha, país fascinante, luta há mais de 10 anos pela reunificação e integração da gigante massa imigrante ao mesmo tempo que segura o barco União Europeia. Até agora, parece estar a ser bem sucedida nas últimas duas tarefas, não tanto na primeira.

A Bélgica, descobri esta semana, é o terceiro país na lista dos maravilhosos países com problemas psicológicos. A Bélgica tem o tamanho de uma ervilha e, mesmo assim, tem espaço para grandes divisões, 3 línguas oficiais e consegue estar sem governo há mais de um ano, apesar de acolher os orgãos administrativos da União Europeia. Este cenário é, no mínimo, irónico. A separação entre as várias regiões é de tal maneira forte que até a representação Belga na eurovisão é alternada entre as partes de língua francesa e holandesa. No meio disto tudo, ainda há espaço para a afirmação de uma cultura de origem germânica honesta e cidades-museu que parecem tiradas de contos-de-fadas. 



publicado por Undómiel às 12:12
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2011
Os meus hábitos de viagem...

... começam a tornar-se estranhos. Na verdade, não é bem aos hábitos de viagem que me refiro, mas aos padrões que definem e caracterizam as minhas viagens, que começam a transformar-se em hábitos. Hábitos esses que eu gostava de não ter. Falo, nomeadamente, do meu mais recente hábito de perder alguma coisa de cada vez que viajo. Apercebi-me deste padrão na minha última viagem, até à Finlândia.
No espaço de um ano já perdi a carteira e o guarda-chuva em Veneza, a tampa da lente da máquina fotográfica em Dusseldorf, e o lenço/echarpe/manta de piquenique em Helsínquia. O bright side deste padrão é que a tendência parece ser a perder coisas cada vez menos valiosas. Pode ser que, da próxima vez, o valor perdido seja 0 e se traduza em não perder nada. 



publicado por Undómiel às 00:46
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
A minha primeira sauna

Estive, há umas semanas atrás, na Finlândia, país onde, dizem, nasceu a sauna. A ideia de entrar numa sala para transpirar, confesso, sempre me soou meio ridícula. De maneira que nunca tinha feito sauna. Apesar disso, quando viajo, acho importante reter o máximo da cultura do país de acolhimento. Por isso, experimentar a "verdadeira sauna" é obrigatório para quem vai à Finlândia. Nunca antes me tinha questionado realmente acerca dos efeitos e motivações que conduzem as pessoas à sauna. Resumidamente, sauna sempre foi uma matéria que me passou ao lado.

Antes do Natal, comecei a minha "educação para a sauna" com o filme Steam of Life. Este documentário mostra muito sobre o que é a sauna na Finlândia e foca aquilo que, também para mim, é o seu verdadeiro significado: as relações entre as pessoas.

A sauna não é só uma sala aquecida a lenha ou a electricidade onde as pessoas se sujeitam, nuas, ao calor e ao vapor para melhorar a circulação e purificar o espírito. Em vez disso, a sauna é um dos locais, talvez devido à temperatura, talvez devido à exibição dos corpos, onde as pessoas, normalmente frias, esquecem as normas escandinavas de relacionamento e falam abertamente sobre tudo, incluindo assuntos pessoais ou sentimentais.

É um cliché acusar de frias as pessoas da escandinávia e, especialmente, da Finlândia. No entanto, o cliché não é totalmente infundado. Não é que seja impossível aproximarmo-nos à primeira tentativa de um Finlandês, mas é certo que não é a coisa mais fácil do mundo ficar totalmente à vontade antes de estar com um finlandês umas quantas vezes. A regra muda, no entanto, se se fizer sauna com um finlandês.

Estive cerca de duas semanas na Finlândia, em férias. Passei cinco dias em Turku, a quinta cidade do país, e sete dias em Helsínquia. Comecei por Turku, Capital Europeia da Cultura. Aí, fiquei em casa de um casal, numa casa com sauna. Antes de ir não conhecia nenhum dos donos da casa.

Em Helsínquia estive num apartamento sem sauna, que partilhei com uma rapariga Finlandesa que tinha conhecido na Dinamarca. Já tinha estado com ela durante umas horas antes de passar estes dias com ela, em Helsínquia.

Mal cheguei a Turku, depois de jantar, fui fazer sauna, pela primeira vez, com a dona da casa e uma amiga dela. Nunca tinha falado com nenhuma delas. Uma vez na sauna, no entanto, a conversa fluiu estranhamente bem. Poucas horas depois parecia que sabiamos tudo umas sobre as outras. Os dias seguintes passaram rapidamente, já que havia sempre algo de que falar e a empatia criou-se de imediato, na sauna.

Em Helsínquia, pelo contrário, a conversa nunca chegou ao ponto de naturalidade da conversa em Turku, apesar de já conhecer a rapariga que me deu guarida. Com ela, mesmo ao fim de vários dias, a conversa soou sempre mais a monólogo e eu tive de me esforçar para evitar silêncios desconfortáveis.

 

Até agora, a sauna de Turku continua a ser a única que experimentei. De futuro, se voltar a experimentar, vou estar mais atenta a este poder oculto de aproximação das pessoas.



publicado por Undómiel às 12:13
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Sábado, 20 de Novembro de 2010
Mais coisas quase bizarras

Voltei a mudar de casa, em Copenhaga. Espero que desta vez seja uma mudança mais deifinitiva do que as anteriores. Não quero dar mais festas de inauguração de casas novas.

Desta vez, a minha casa é normal e maravilhosa. Estou numa residência mas numa casa só com rés-do-chão e tenho tudo só para mim - casa-de-banho, cozinha e quarto. E tenho vizinhos. Não tenho mobília, mas em breve começarei a ter. Sinto que mudei para o mais próximo da perfeição que pode existir em Copenhaga. Nada de colegas de casa estranhos, nada de cozinhas nojentas, nada de quartos sem porta e, o melhor de tudo é, tenho um chuveiro cujo chão não é o chão do resto da casa-de-banho.

 

No entanto, desde que mudei para aqui, parece que aquilo que me acontece tem de ser muito estranho para compensar a não presença de elementos estranhos na minha habitação.

Há umas semana atrás fui a Itália. Viajei sozinha, como é da minha marca. Num dia meio chuvoso, estava eu sentada num degrau de uma das 1500 igrejas de Veneza a preparar a minha sandes quando sou abordada por uma pessoa. Era um homem, de pele castanha, com ar de missionário. Fez-me várias perguntas, num inglês melhor que o comum "italiano-inglês". Eu, da forma mais seca que consegui, respondi às perguntas. O assunto de conversa parecia ser inexistente, até que o senhor me perguntou se queria ir a casa dele. Aí, vi-me obrigada a levantar-me e ir embora. Tive medo que ele viesse atrás de mim e comecei a acelerar o passo. Ele não veio atrás de mim, mas o momento foi suficientemente estranho para me assustar.

Dias depois, a minha carteira desaparece.

Volto para a Dinamarca.

 

Alguns dias depois do regresso, combino esperar por um colega numa das praças mais movimentadas de Copenhaga. Espero durante cerca de 15 minutos. Pelos vistos, há qualquer coisa em mim que atrai pessoas estranhas. Nos últimos 5 minutos tive de ouvir um senhor, que apareceu do nada, que me fez perguntas, e que me voltou a assustar. Como se não bastasse, momentos depois chegou um amigo desse senhor e os dois começaram a falar comigo de forma assustadora. Consegui fugir quando o meu colega chegou.

 

Dias depois, estava eu no metro, de regresso a casa, à noite, e algo semelhante acontece. Estavam duas pessoas em todo o metro, contando comigo. A outra pessoa era um senhor com um sutaque polaco que decidiu falar comigo. Desta vez, o encontro foi assustador desde o início. A primeira frase que o senhor pronunciou foi, em inglês, "sabias que tens uns lábios muito bonitos?". Estava nitidamente bêbedo. E eu não tinha para onde fugir. Não respondi. Ele continuou a falar comigo. Para responder, sempre que possível, limitava-se a acenar. Por dentro desejava que ele saísse do metro o mais rápido possível. Ele eventualmente saiu, mas na estação onde eu também devia sair. Eu estava tão assustada que fiquei no metro e saí na estação seguinte para não ter de conviver com o polaco assustador mais tempo.

 

E a série ainda não acabou.

 

Ontem, fui a um dos meus bares preferidos em Copenhaga. É um bar de pessoas mais velhas, com um ar crescido, que está sempre cheio e onde há uma selecção de cervejas bastante diversificada. Há lá sempre imensos homens e mulheres com mais de 40 ou 50 anos. Essa é, aliás, uma das características que mais me agrada no bar. No entanto, ontem, essa característica tornou-se um pouco assustadora.

Como sou pequena, é normal para mim pedir às pessoas que estão ao balcão para me arranjarem um espacinho para eu fazer os meus pedidos. Como toda a gente fala inglês, aqui faço o mesmo. Nesse bar, normalmente, isso significa pedir a cinquentões charmosos e de barba branca para me deixarem chegar ao bar. Às vezes, eles metem conversa e ouço algumas das suas fascinantes histórias. Às vezes, essas histórias até têm como cenário Portugal.

Ontem, no entanto, já tardinho, a conversa não tinha como recheio histórias pessoais. Um dos senhores que, a certa altura, se desviou para eu chegar ao balcão, tinha uma barba grande, nariz grande e olhos pequenos. Pensei num Gandalf em formação quando o vi. É um cliente habitual, já o tinha visto ali antes. Quando se desviou fez-me algumas perguntas como "de onde és" e coisas normais desse género. Respondi. Um colega meu aproxima-se e diz-me qualquer coisa para eu acrecentar ao pedido. O senhor da barba pergunta-me "é o teu namorado?". Eu respondo que não. É então que a conversa se transforma no momento mais estranho de sempre. Ele diz "ah, é que eu queria dar-te um beijo". Virei a cara e ignorei o senhor. Mal tive oportunidade, fui para casa. Nunca pedalei tão rápido como ontem.



publicado por Undómiel às 14:21
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010
2009 - o balanço

Eu tinha dito que não ia fazer um balanço de 2009 mas, como acabei por pensar nisso, cá está ele.

 

Os anos pares sempre foram, para mim, mais amorosos que os anos ímpares. 

talvez por isso, a palavra que usaria para descrever o meu 2009 seria "aventureiro".

 

Mundialmente, 2009 foi o ano, diria eu, de Obama e da Susan Boyle. Pessoalmente, 2009 foi o ano das viagens, o ano da emigração, o ano em que votei duas vezes e o ano em que fui ao Algarve pela primeira vez. Não foi mau, não.

3 meses e meio em Portugal, 5 meses na Alemanha e outros 3 e meio em Espanha com visitas à Holanda, Hungria, República Checa e Reino Unido pelo meio; 5 casas diferentes durante um ano; uma viagem por Portugal como guia turística de uma simpática latino-americana e um bocadinho de voluntariado. 

Muitas pessoas novas, muitos exemplos de vida, muitas histórias mas poucas novas amizades para a vida.

 

 



publicado por Undómiel às 21:32
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Pelos pontos mais turísticos de Portugal

Já estive numas quantas cidades europeias, em cerca de 8 países diferentes. Não é muito, mas é irónico. Irónico porque pouco conheço do meu próprio país.

Na semana passada estive em alguns dos pontos de Portugal que mais turistas estrangeiros atraem, como se eu própria fosse uma turista estrangeira. Algumas pessoas acreditaram que eu era, realmente, uma turista estrangeira.

Serei estrangeira em todos os sítios onde vou que não são a minha casa?



publicado por Undómiel às 14:14
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Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Portugal, sweet Portugal

Mesmo depois de um regresso, no mínimo, estranho, consigo dizer Portugal, sweet Portugal.

 

Durante a viagem Palma de Maiorca - Lisboa (que não estava prevista, mas isso é outra história) a minha cabeça já divagava sobre uma próxima viagem, eventualmente a Viena, ou a Roma, ou à Bélgica, algures. Mas, quando aterrei o meu pensamento já era "ah! Portugal!". E agora quero ficar no país de Luís de Camões durante algum tempo. Realmente, como dizia o senhor taxista que me conduziu até ao Oriente, "não há povo como o português".

Já tinha saudades daquelas coisas que só em Portugal acontecem, como apanhar um taxi em que o taxista é duma terra muito próxima da terra do meu pai (daquelas que pouca gente sabe existirem); do país em que as pessoas do norte falam alto e as do sul nem tanto; de apanhar um comboio super cheio que liga cidades importantes e pagar menos de 30€, de estar com a familiazinha e andar à porrada com a minha irmã.

 

Portugal, sweet Portugal, home, sweet home.

Senti-me, de facto, e depois do Walter mo dizer, "welcome back".



publicado por Undómiel às 09:41
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Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Presa em Berlim

 À moda do Bruno Aleixo digo:

"Nunca compres u bilhete de ida e volta se não vais usar a ida. Cancelam-to".



publicado por Undómiel às 12:26
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