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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010
2010, o balanço (eu tentei, mas não consegui resistir)

A minha velha e recentemente reforçada obsessão por listas não me deixa não escrever um post inútil sobre o meu 2010. (Reforço a inutilidade deste post. É de tal maneira pessoal que se calhar, o melhor seria parar de ler por aqui.)

 

(Eu avisei para não continuar a ler.)

 

2010 deveria ter sido, para mim, o ano da reflexão, o ano sabático para perceber o que quero fazer da minha vida, saber o que é trabalhar e começar a descontar para a reforma.

2010 foi o ano em que morei em 3 países diferentes (as casas foram tantas que nem me vou dar ao trabalho de as contar), tive 5 trabalhos diferentes e voltei a estudar. Resumindo, 2010 foi o ano que tirei para perceber que ainda não sou crescida o suficiente para conseguir transformar períodos de reflexão em conclusões. A reflexão, em vez de respostas parece trazer mais perguntas e mais confusão.

 

(Eu avisei para não continuar a ler.)

 

 

Basicamente, 2010 foi o ano em que as respostas às minhas perguntas continuaram a ser "continua a procurar". Não sei se posso chamar a isto "crise dos 20 anos atrasada", mas se puder, vou gostar de o fazer. Gosto de dar nomes às coisas.

 

Vejamos como se porta o 2011. Segundo o meu horóscopo, será um ano de infecções e problemas dermatológicos - já promete!

 

(Parabéns se conseguiu chegar ao fim do post. Eu avisei para não continuar a ler.)



publicado por Undómiel às 00:38
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Julie, Julia and me

 Diziam que Julie and Julia and o "feel good movie of the year". Eu senti-o mais como o "feel like a cliché movie of the year". Isto porque me fez sentir um cliché.

 

A vinda para Salamanca e o estágio, o início da vida de trabalhadora tiveram uma série de consequências e mudaram, obviamente, o meu modo de vida.

Começar a trabalhar é saber onde vou estar e o que vou fazer durante 8 horas do meu dia, fora horas para higiene e refeições e, portanto, ter muito tempo livre e chegar a casa cansada. Pra já, está a parecer-me um modo de vida muito entediante e pouco entusiasmante. Tive, portanto, de encontrar uma escapatória entusiasmante/anti-stress para "colorir" a minah vida. Há quem entre para o ginásio (que deveria ter sido a minha escolha), há quem arranje namorado/a, etc. Eu descobri o poder terapêutico da culinária. Efectivamente, qual dona de casa não-muito-desesperada, tenho prazer em cozinhar e faço-o também porque me relaxa.

Afinal, sou um cliché e fiquei com vontade de fazer a versão portuguesa daquele Julie/Julia Project mas com recurso a um livro de culinária português, algo tipo Maria de Lourdes Modesto... Dúvido é que tenha paciência para tanto. Cozinhar é relaxante, escrever ainda não tanto... Mas quem sabe...  



publicado por Undómiel às 22:58
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
o tempo

Lembro-me de há uns meses atrás falar com alguém sobre a maneira como as pessoas dizem sempre "ah, eu não tenho tempo para isso". "Isso" seriam coisas como ir ao ginásio, fazer desporto ao ar livre, comer bem, sair com os amigos, ir ao cinema...

O meu interlocutor dizia que a falta de tempo era uma desculpa esfarrapada e que quem realmente quer fazer coisas arranja, de alguma maneira, tempo para elas. A minha posição não era tão intransigente mas ia numa direcção muito próxima dessa. Hoje, percebo que não é bem assim.

Não é que "as pessoas crescidas" não tenham, efectivamente, tempo para nada. É que o trabalho é tão desgastante que o tempo que as pessoas tem livre, efectivamente parece nem merecer o título de "tempo". Agora que sou "uma espécie de trabalhadora do tipo 8 horas por dia" percebo. Ao fim de 8horas de trabalho, mesmo que sejam horas passadas sentada em frente a um computador, são altamente desgastantes. Quando chegam ao fim eu dou graças a deus e declaro-me esgotada, incapaz de fazer seja o que for nos próximos tempos.

Há umas semanas ponderei a hipótese de ir para um ginásio. Como as pessoas de que falava no início deste post o que me passou pela cabeça foi "não tenho tempo". E tenho pensado no assunto. Na verdade, depois de sair do trabalho o ginásio continua aberto durante um par de horas. Em termos absolutos, eu tenho tempo. Mas não conseguiria. Sabe-me muito bem o regresso a casa com o fresco a dar na cara e o nariz a congelar mas algo que exigisse mais que uma mente absolutamente vazia é impossível no fim de um dia de trabalho.

 

Não ando a ser explorada nem nada do género. Mas começo a achar que, ou não fui feita para trabalhar num sítio fechado ou então não sei trabalhar.



publicado por Undómiel às 21:16
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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
Sintoma de entrada na classe trabalhadora

 Cozinhar à noite o almoço do dia seguinte.

 

É mesmo oficial, sou trabalhadora.



publicado por Undómiel às 14:40
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