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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2011
Os maravilhosos países com problemas psicológicos

Acho que tenho um fraquinho por países com problemas psicológicos.

Portugal, um dos, senão 'o', meu país preferido, funciona com base na corrupção e tem por canção nacional o Fado, a coisa mais melancólica que existe no planeta Terra. Além disso, Portugal vive ainda em constante depressão pós-glória (ou pós-colonialismo - em Portugal 'glória' e 'colonialismo' parecem sinónimos).

A Alemanha, país fascinante, luta há mais de 10 anos pela reunificação e integração da gigante massa imigrante ao mesmo tempo que segura o barco União Europeia. Até agora, parece estar a ser bem sucedida nas últimas duas tarefas, não tanto na primeira.

A Bélgica, descobri esta semana, é o terceiro país na lista dos maravilhosos países com problemas psicológicos. A Bélgica tem o tamanho de uma ervilha e, mesmo assim, tem espaço para grandes divisões, 3 línguas oficiais e consegue estar sem governo há mais de um ano, apesar de acolher os orgãos administrativos da União Europeia. Este cenário é, no mínimo, irónico. A separação entre as várias regiões é de tal maneira forte que até a representação Belga na eurovisão é alternada entre as partes de língua francesa e holandesa. No meio disto tudo, ainda há espaço para a afirmação de uma cultura de origem germânica honesta e cidades-museu que parecem tiradas de contos-de-fadas. 



publicado por Undómiel às 12:12
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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
Cuidado com o cônsul

Há dois dias atrás fui ao consulado português em Copenhaga para pedir informações sobre o processo de voto à distância. Nesse dia, falei sobre o voto antecipado à senhora que me atendeu e ela disse que a única forma de votar nas próximas eleições era através do recenseamento aqui e que o último dia era o dia seguinte, ontem.

Ontem, voltei ao consulado português em Copenhaga, munida de todos os documentos exigidos para o recenseamento. Cheguei cheia de satisfação por estar a cumprir um dever cívico e a contribuir, modestamente, para o futuro do meu país. (este pensamento fluía na minha cabeça ao ritmo do fado) É também cheia de satisfação que toco à campaínha, abro a porta e me dirijo ao balcão onde me tinha apoiado no dia anterior. A senhora encarregue de atender o público era a mesma que me tinha informado no dia anterior. E lembrava-se de mim. Lembrava-se tão bem que mal eu disse "boa tarde", ela sabia ao que é que eu vinha e foi directa ao assunto: "ai, desculpe, mas o prazo afinal acabava ontem. Recebemos uma nova ordem de Lisboa...". Apeteceu-me berrar à senhora. Em vez disso, voltei a falar do voto antecipado que, no dia anterior, ela tinha descartado. Ela faz um telefonema: "está aqui uma senhora estudante em Copenhaga, que não é erasmus e leu sobre o voto antecipado". Depois de pousar o telefone diz-me "tem razão. Contacte-nos no fim de Abril e pode votar antecipadamente. Precisa, para isso, de trazer um comprovativo de que é estudante aqui e o seu número de eleitor".

 

Mas que raio de serviço foi este? A eficácia portuguesa surpreende-me diariamente.



publicado por Undómiel às 09:26
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Sexta-feira, 4 de Março de 2011
Oscar e eu, versão gourmet

Aviso: o título pouco ou nada tem a ver com o conteúdo que se segue.

 

É curioso que, agora que estou a 2819 Km de casa (cálculo google maps), consumo produtos portugueses de qualidade superior àquela dos produtos que consumo correntemente em Porugal. Isto porque, por qualquer razão, a minha mãe insiste em enviar-me coisas quase gourmet vindas do país de Camões.

 

Por isto, quando receber um prémio importante na minha vida e tiver direito a um tempo de discurso à la Oscares, uma coisa vou incluir, com certeza, nesse discurso: um grande agradecimento à minha mãe. Até aqui nada de novo, toda a gente o faz. No meu caso, no entanto, o agradecimento vai ser um pouco mais específico. Vou agradecer à minha mãe por, enquanto eu morava em Copenhaga, me enviar os melhores queijos de Portugal.



publicado por Undómiel às 14:15
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010
2009 - o balanço

Eu tinha dito que não ia fazer um balanço de 2009 mas, como acabei por pensar nisso, cá está ele.

 

Os anos pares sempre foram, para mim, mais amorosos que os anos ímpares. 

talvez por isso, a palavra que usaria para descrever o meu 2009 seria "aventureiro".

 

Mundialmente, 2009 foi o ano, diria eu, de Obama e da Susan Boyle. Pessoalmente, 2009 foi o ano das viagens, o ano da emigração, o ano em que votei duas vezes e o ano em que fui ao Algarve pela primeira vez. Não foi mau, não.

3 meses e meio em Portugal, 5 meses na Alemanha e outros 3 e meio em Espanha com visitas à Holanda, Hungria, República Checa e Reino Unido pelo meio; 5 casas diferentes durante um ano; uma viagem por Portugal como guia turística de uma simpática latino-americana e um bocadinho de voluntariado. 

Muitas pessoas novas, muitos exemplos de vida, muitas histórias mas poucas novas amizades para a vida.

 

 



publicado por Undómiel às 21:32
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
O Consulado

Nunca tinha estado num consolado, até hoje. Até tinha alguma curiosidade. O que encontrei foi uma coisa bem diferente do que estava à espera, algo quase kafkiano, diria.

O prédio onde está instalado o consulado fica entre um restaurante chinês, um museu taurino, uma loja de desporto e uma loja de roupa interior feminina. É um prédio de habitação. Cada campaínha indica o andar e a letra que corresponde a cada apartamento, excepto a do consulado. A campainha do consulado tem, por cima do mostrador do andar e letra, de maneira a que estes não sejam visíveis, um pequeno papel escrito à mão e já ligeiramente borratado pela chuva. O papel diz "consulado". A campaínha, na verdade, nem é necessária porque a porta está aberta.

O hall de entrada é amplo e lembra, por qualquer razão, os anos 70. Existe um cubículo que diz "porteiro", bem iluminado, mas não existe porteiro. Junto à janelinha desse cubículo, numa placa dourada pode ler-se, finalmente, "Consulado de Portugal" 3º qualquer-letra (já não me lembro qual era, exactamente). De ambos os lados desse cubículo, e de forma quase perfeitamente simétrica, existem escadas e um elevador. O elevador tem em todo o lado menos no indicador de andar actual um ar 'normal/velho'. No mostrador do andar parece super moderno.

O terceiro andar tem um pequeno corredor cujo centro está marcado pelo elevador. Há 2 ou 3 portas. A do lado direito, fechada, tem uma placa prateada, dum tamanho pouco mais pequeno que o A4 do papel, com a esfera armilar rodeada por louros e a inscrição "Consulador de Portugal" e o horário de funcionamento. O horário foi corrigido duma forma muito rudimentar. Era preciso tocar à campaínha. O som da campaínha era o som normal de uma campaínha de uma casa. A porta não abriu de imediato. Começaram a ouvir-se passos atrás da porta. Imaginei alguém ainda meio despenteado, de chinelos e robe a abrir a porta. Na verdade, atendeu-me um senhor daqueles que põe os óculos na ponta do nariz para olhar por cima deles, barriguinha "à portuguesa", cerca de 60 anos e indumentária própria de senhor de 60 anos friorento. Esqueci-me de reparar se estava ou não de chinelos. Entrei e conversei com o senhor. Nunca saímos no hall de entrada. A alcatifa, verde-cinzento com ar velho combinava com o ar do senhor. E os panfletos espalhados em cima do móvel do hall também. Eram alusivos a vários museus e atracções turísticas de Portugal e pareciam velhotes. O senhor tinha uma voz mais ou menos grave e um pouco rouca. Era português e aquela parecia ser a sua casa. Foi estranho. 



publicado por Undómiel às 14:41
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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009
O mundo tem andado especialmente estranho nos últimos dias.

Primeiro, Espanha fica à frente da Alemanha no Human Development Index, segundo a ONU. (A ler aqui)

Depois, Barack Obama recebe o Nobel da Paz, com 9 meses de governo, obviamente insuficientes para assumir políticas de paz e notar os seus efeitos.

 

Com um mundo assim parece normal que em Espanha só se fale do Cristiano Ronaldo.



publicado por Undómiel às 12:07
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Pelos pontos mais turísticos de Portugal

Já estive numas quantas cidades europeias, em cerca de 8 países diferentes. Não é muito, mas é irónico. Irónico porque pouco conheço do meu próprio país.

Na semana passada estive em alguns dos pontos de Portugal que mais turistas estrangeiros atraem, como se eu própria fosse uma turista estrangeira. Algumas pessoas acreditaram que eu era, realmente, uma turista estrangeira.

Serei estrangeira em todos os sítios onde vou que não são a minha casa?



publicado por Undómiel às 14:14
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Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
Portugal, sweet Portugal

Mesmo depois de um regresso, no mínimo, estranho, consigo dizer Portugal, sweet Portugal.

 

Durante a viagem Palma de Maiorca - Lisboa (que não estava prevista, mas isso é outra história) a minha cabeça já divagava sobre uma próxima viagem, eventualmente a Viena, ou a Roma, ou à Bélgica, algures. Mas, quando aterrei o meu pensamento já era "ah! Portugal!". E agora quero ficar no país de Luís de Camões durante algum tempo. Realmente, como dizia o senhor taxista que me conduziu até ao Oriente, "não há povo como o português".

Já tinha saudades daquelas coisas que só em Portugal acontecem, como apanhar um taxi em que o taxista é duma terra muito próxima da terra do meu pai (daquelas que pouca gente sabe existirem); do país em que as pessoas do norte falam alto e as do sul nem tanto; de apanhar um comboio super cheio que liga cidades importantes e pagar menos de 30€, de estar com a familiazinha e andar à porrada com a minha irmã.

 

Portugal, sweet Portugal, home, sweet home.

Senti-me, de facto, e depois do Walter mo dizer, "welcome back".



publicado por Undómiel às 09:41
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
Erasmus, o balanço II

Apesar de tudo, o tempo de Erasmus foi um tempo muito jeitosinho.

Afinal,

- estive em 5 países diferentes;

- fiz couchsurfing pela primeira vez;

- andei à boleia pela primeira vez;

- falei inglês 24h non stop pela primeira vez;

- percebi a dualidade Alemanha Ocidental-Oriental que ainda existe;

- aprendi C++ e o senhor professor disse que eu até podia estudar computer Science;

- estive numa universidade muito bem equipada;

- conheci, pela primeira vez, artistas plásticos em formação;

- vivi seis meses num país diferente de Portugal, num país de primeiro mundo;

- percebi o verdadeiro significado da palavra "saudade";

- aprendi a valorizar Portugal.

 

Uff (como eu era ignorante!)...



publicado por Undómiel às 21:40
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Man's Day

A Alemanha é um país um quanto machista.

Começando na língua: a palavra para "menina" não é do sexo feminino mas sem neutra e a palavra para rapaz é masculina. E depois nas tradições.

Ontem foi feriado nacional. Religioso. Assinalou-se o dia em que Jesus Cristo subiu aos céus. Mas a verdadeira celebração era outra. Celebrou-se, à boa maneira masculina e alemã, o dia do Homem.

A boa maneira masculina e alemã de celebrar o dia do homem é juntar os amigos e sair para beber cerveja até à exaustão. Grupos de jovens reúnem-se com carros de mão cheios de bebidas e vão de aldeia em aldeia fazer a festa. Às 10h já se bebe por aqui. E aos 13 anos, aparentemente, também. A alternativa a esta forma de festejo é reunir os amigos , homens, em festas pontuais onde o ingrediente principal é a cerveja e passar lá o dia (um pouco à moda das festas da terrinha em Portugal, mas sem a música pimba). Quando chega a hora do jantar regressa-se a casa. E durante o regresso é preciso dar provas de masculinidade e de bebedeira. Isso passa, por vezes, por dar porrada em pessoas aleatórias mas igualmente bêbedas e do sexo masculino ou, então, puxar o travão de emergência do comboio que está cheio e obrigar a uma paragem de uns quantos minutos. Vale que não se metem com estrangeiros ou, se metem, são simpáticos e falam um alemão simples para os estrangeiros perceberem e pensarem que os alemães são simpáticos.

 

E afinal, acabei de descobrir, oficialmente é dia do pai!



publicado por Undómiel às 15:51
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