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Segunda-feira, 9 de Julho de 2012
O MEU Roskilde

Ouço falar de Roskilde, o festival, desde que comecei a prestar atenção a coisas relacionadas com música e festivais. Antes ainda de começar a ir a festivais de Verão, ir a Roskilde já estava na minha "to-do list." A espera foi menos longa do que podia, na altura, imaginar. Este ano, fui a Roskilde pela primeira vez.

O meu entusiasmo por festivais de verão não é o mesmo de há uns anos atrás. Ainda assim, em Roskilde, voltei a sentir o entusiasmo e a excitação do primeiro festival. Vendo bem, este Roskilde foi o primeiro festival a que fui sozinha, o primeiro festival em que participei como voluntária, o primeiro festival em que não acampei, e o meu primeiro festival fora de Portugal. De várias formas, foi uma espécie de primeiro festival. Talvez por isso, mal o festival acabou, senti a necessidade de escolher a história que melhor descreve "o meu primeiro Roskilde":

Os M83 foram uma das minhas grandes motivações para fazer de Roskilde 2012 o meu primeiro. Cerca de 15 minutos antes da hora prevista para o início do concerto, comecei a procurar um espacinho no meio da multidão onde pudesse ver um dos ecrãs. Com sorte, encontrei um lugar onde podia ver um dos ecrás, tinha espaço para me mexer e até conseguia ver uma boa parte do palco. Com tanta visibilidade, não podia sair dali. Poucos minutos depois de me instalar, estudar a melhor posição para a minha grande mochila e dividir bem o peso do corpo pelas duas pernas, o rapaz que está à minha esquerda começa a soprar bolas de sabão para a minha cara. Eu acho bolas de sabão uma coisa fofinha, mas acho incomodativo estar a apanhar com bolas de sabão na cara repetida e propositadamente. Olho para o rapaz e faço um misto de cara de má e cara de pessoa que está divertida. O rapaz diz-me, num inglês estrangeiro de origem não-identificável, "estava a ver se conseguia por um sorriso na tua cara, e estou quase a conseguir." Perante expressão mais lamechas, sorrio.

O concerto começa. Os movimentos da multidão de escandinavos mais altos que eu obriga-me a ir mudando de lugar ao longo do concerto para conseguir ver. Afasto-me, por isso, pouco a pouco, do rapaz de origem desconhecida.

O concerto decorre. E corre bem. Nas músicas menos dançáveis começo a divagar sobre como será uma relação amorosa com um francês. Foi este o pensamento alternativo ao "será que o amigo anthony Gonzalez é gay?"

No fim do concerto, saio da área daquele palco. Tenho de fazer tempo até ao próximo concerto, que só vai acontecer daí a 1 hora. Mas estou sozinha, de maneira que caminho devagar e sem destino.

Sinto qualquer coisa a tocar-me nas costas, parece uma ponta de guarda-chuva. Quando me viro, vejo um mini guarda-chuva cor-de-rosa choque, um miúdo desconhecido e o rapaz das bolas de sabão. O miúdo desconhecido diz, "parece que andas por aqui sozinha. Se não tens de encontrar os teus amigos, podes juntar-te a nós."

Fazemos conversa de ocasião. O rapaz das bolas de sabão e os amigos são, precisamente, franceses.

Pouco depois de revelarem a sua nacionalidade, aceleram o passo. Têm de encontrar os seus amigos que estão mais à frente. Perco-os de vista. E não voltei a ver o rapaz das bolas de sabão. 



publicado por Undómiel às 21:00
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2011
A Eurovisão. E não estou a brincar.
eurovision song context

 

O festival eurovisão da canção (adoro o nome em português) não tem, hoje, a importância (ou será valor?) que tinha há umas décadas atrás. Pelo menos em grande parte dos países tidos como "fundadores". Prova disso é que, sempre que alguém diz gostar da eurovisão, o mais provável é ser gozado. É o que acontece comigo. Aliás, já dei por mim várias vezes a dar desculpas porque eu própria me sinto culpada por gostar da eurovisão. A minha desculpa recorrente é "sofri uma lavagem cerebral", desculpa que tem o seu quê de verdade e o seu quê de mentira. 

A verdade é que, se hoje presto especial atenção ao festival e não uma "atenção média" é porque, durante a Licenciatura, tive um colega de turma que tem um grande poder de persuasão no que diz respeito à Eurovisão. Ele provou que, de facto, é possiível convencer alguém a gostar da eurovisão mais do que de muitas outras coisas, afinal o festival, se não for mais nada (o que não é verdade), é incrivelmente divertido. A parte falsa da minha desculpa é que, apesar de ter sido persuadida no sentido de me tornar "fã a sério", a escolha foi minha. Eu poderia não ter cedido aos "ensinamentos" do "meu evangelizador eurovisivo" mas decidi cair em tentação e assumir que há ali qualquer coisa a que vale a pena prestar atenção.

No ano passado tornei-me membro da OGAE Portugal, associação oficial de fãs da eurovisão. Este ano fui a Dusseldorf assistir ao festival, ao vivo.

Percebo que muita gente seja anti-eurovisão, mas também acho que se criaram muitos preconceitos que deixam envergonhados potenciais fãs, o que é uma pena. A eurovisão não é um fenómeno mas é, certamente, digna de análise. E o que é mais maravilhoso acerca dela é que essa análise pode olhar a todo um conjunto de elementos. Desde as músicas e países a concurso até à dimensão do espectáculo televisivo, passando pela política, a eurovisão tem muito que e lhe diga, por muito que a queiram ignorar.



publicado por Undómiel às 11:05
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