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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Julie, Julia and me

 Diziam que Julie and Julia and o "feel good movie of the year". Eu senti-o mais como o "feel like a cliché movie of the year". Isto porque me fez sentir um cliché.

 

A vinda para Salamanca e o estágio, o início da vida de trabalhadora tiveram uma série de consequências e mudaram, obviamente, o meu modo de vida.

Começar a trabalhar é saber onde vou estar e o que vou fazer durante 8 horas do meu dia, fora horas para higiene e refeições e, portanto, ter muito tempo livre e chegar a casa cansada. Pra já, está a parecer-me um modo de vida muito entediante e pouco entusiasmante. Tive, portanto, de encontrar uma escapatória entusiasmante/anti-stress para "colorir" a minah vida. Há quem entre para o ginásio (que deveria ter sido a minha escolha), há quem arranje namorado/a, etc. Eu descobri o poder terapêutico da culinária. Efectivamente, qual dona de casa não-muito-desesperada, tenho prazer em cozinhar e faço-o também porque me relaxa.

Afinal, sou um cliché e fiquei com vontade de fazer a versão portuguesa daquele Julie/Julia Project mas com recurso a um livro de culinária português, algo tipo Maria de Lourdes Modesto... Dúvido é que tenha paciência para tanto. Cozinhar é relaxante, escrever ainda não tanto... Mas quem sabe...  



publicado por Undómiel às 22:58
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
o tempo

Lembro-me de há uns meses atrás falar com alguém sobre a maneira como as pessoas dizem sempre "ah, eu não tenho tempo para isso". "Isso" seriam coisas como ir ao ginásio, fazer desporto ao ar livre, comer bem, sair com os amigos, ir ao cinema...

O meu interlocutor dizia que a falta de tempo era uma desculpa esfarrapada e que quem realmente quer fazer coisas arranja, de alguma maneira, tempo para elas. A minha posição não era tão intransigente mas ia numa direcção muito próxima dessa. Hoje, percebo que não é bem assim.

Não é que "as pessoas crescidas" não tenham, efectivamente, tempo para nada. É que o trabalho é tão desgastante que o tempo que as pessoas tem livre, efectivamente parece nem merecer o título de "tempo". Agora que sou "uma espécie de trabalhadora do tipo 8 horas por dia" percebo. Ao fim de 8horas de trabalho, mesmo que sejam horas passadas sentada em frente a um computador, são altamente desgastantes. Quando chegam ao fim eu dou graças a deus e declaro-me esgotada, incapaz de fazer seja o que for nos próximos tempos.

Há umas semanas ponderei a hipótese de ir para um ginásio. Como as pessoas de que falava no início deste post o que me passou pela cabeça foi "não tenho tempo". E tenho pensado no assunto. Na verdade, depois de sair do trabalho o ginásio continua aberto durante um par de horas. Em termos absolutos, eu tenho tempo. Mas não conseguiria. Sabe-me muito bem o regresso a casa com o fresco a dar na cara e o nariz a congelar mas algo que exigisse mais que uma mente absolutamente vazia é impossível no fim de um dia de trabalho.

 

Não ando a ser explorada nem nada do género. Mas começo a achar que, ou não fui feita para trabalhar num sítio fechado ou então não sei trabalhar.



publicado por Undómiel às 21:16
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Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Manhã, ginásio e coisas

A Alemanha engorda. Por causa dela atingi um estado próximo da "gravidez aparente". Mas estou decidida a mudá-lo. Por isso, prometi a mim mesma que passaria a ir ao ginásio mais que uma vez por semana, que era a periodicidade que tinha adoptado desde que comecei a ir ao ginásio em Weimar.

Aquilo a que chamo ginásio é, na verdade, uma sala não muito grande com umas quantas máquinas típicas de ginásio, a que chamam "sala do cardiofitness", no complexo desportivo da Universidade.

Hoje, para respeitar a promessa que fiz a mim mesma e porque não tinha aulas de manhã, comecei o dia com ginásio.

Normalmente, quando lá vou, sou a única pessoa na sala. Hoje foi diferente. Quando cheguei, às 9h10, estava na sala um rapaz que daí a 5 minutos acabou a sua sessão. Fiquei sozinha, como de costume. Mas não seria assim por muito tempo. Às 9h20 chega uma senhora com idade entre os 60 e os 70 anos, muito sorridente, que parecia acabada de sair do cabeleireiro, com uma t-shirt às riscas brancas e azuis e umas bermudas do mesmo azul, justas. Fashion, basicamente. A senhora foi para a eliptica mesmo ao lado da minha, creio que na esperança de meter conversa comigo. Só tentou quando eu saí da máquina. Fez qualquer comentário que eu não percebi mas ao qual respondi "ah, ja" e sorri. Segui para a máquina seguinte. Entra uma outra velhota. Parecida com a primeira mas um pouco menos loura e com uma t-shirt lisa, mas também a condizer com as bermudas que trazia. Quando a primeira acabou a Eliptica foi ter com a segunda e as duas fizeram remo em paralelo. De vez em quando falavam uma com a outra.

Depois disto, de phones nos ouvidos, concentrei-me no meu jogging. Quando me voltei a lembrar que havia coisas à minha volta, a sala parecia estar cheia de pessoas com idades entre os 60 e os 70, com mais energia que eu e todos mais exercitados que eu. Só mulheres. Pouco depois entra aquele que será o único homem na sala. Careca, de calções e cheio de charme, imediatamente mete conversa com todas as senhoras da sala. A certa altura está a sala toda muito entretida e todos falam uns com os outros. De tal maneira que tenho de pôr a minha música mais alto. A minha conclusão é: este senhor realmente sabe como espalhar magia.  



publicado por Undómiel às 10:32
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