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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Julie, Julia and me

 Diziam que Julie and Julia and o "feel good movie of the year". Eu senti-o mais como o "feel like a cliché movie of the year". Isto porque me fez sentir um cliché.

 

A vinda para Salamanca e o estágio, o início da vida de trabalhadora tiveram uma série de consequências e mudaram, obviamente, o meu modo de vida.

Começar a trabalhar é saber onde vou estar e o que vou fazer durante 8 horas do meu dia, fora horas para higiene e refeições e, portanto, ter muito tempo livre e chegar a casa cansada. Pra já, está a parecer-me um modo de vida muito entediante e pouco entusiasmante. Tive, portanto, de encontrar uma escapatória entusiasmante/anti-stress para "colorir" a minah vida. Há quem entre para o ginásio (que deveria ter sido a minha escolha), há quem arranje namorado/a, etc. Eu descobri o poder terapêutico da culinária. Efectivamente, qual dona de casa não-muito-desesperada, tenho prazer em cozinhar e faço-o também porque me relaxa.

Afinal, sou um cliché e fiquei com vontade de fazer a versão portuguesa daquele Julie/Julia Project mas com recurso a um livro de culinária português, algo tipo Maria de Lourdes Modesto... Dúvido é que tenha paciência para tanto. Cozinhar é relaxante, escrever ainda não tanto... Mas quem sabe...  



publicado por Undómiel às 22:58
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009
N'O ipsilon

... fala-se de maneira tão eloquente que fiquei mesmo com vontade de ir ao Curtas Vila do Conde.

Para o contágio, clical aqui.



publicado por Undómiel às 18:13
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
Inglorious Basterds

Uma crítica com piada e uma comparação cheia de sentido aqui.



publicado por Undómiel às 17:22
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009
a minha primeira vez num cinema 3d e o que se seguiu

 Ontem a minha turma de projecto foi ao cinema. Foi uma visita de estudo, para vermos como se faz, hoje, 3d no cinema. 3d esse que vamos, durante o semestre, explorar e adaptar à televisão, para perceber as possibilidades e limitações da tv do futuro, 3dtv.

Na verdade, já vi um filme em 3d, mas foi há muito muito tempo, no Pavilhão do Futuro, creio, na Expo'98. Foi há muito tempo e já mal me lembro. Também já fui a um IMAX, mas também é uma coisa completamente diferente, por isso, encarei esta sessão como a primeira num cinema 3d.

Depois de ler umas quantas coisas sobre 3dtv e equipamentos, tinha algumas expectativas. Julgava que a industria estava já altamente avançada. De facto, está, mas não tanto como eu julgava. Ainda assim, foi interessante e deu para perceber muita coisa, mesmo sendo um filme de animação e em alemão.

O filme era Monsters vs Aliens, a mais recente animação da dreamworks. Tecnicamente irrepreensível, no que diz respeito à animação, já no usufruto do 3 deu diria deixar um pouco a desejar. Em certos momentos o 3d estava mesmo interessante e as personagens saíam da tela e dirigiam-se ao espectador, outras vezes, em momentos em que fazia sentido que o mesmo acontecesse, não acontecia. Mas também não tenho outro ponto de referência, estou apenas a comparar com as minhas expectativas. Àparte dos aspectos técnicos, o filme cumpre a sua função, está cheio de referências cinéfilas simpáticas, desde Shreck (um pormenor no uniforme de uma das personagens) até Encontros Imediatos de Terceiro Grau, de forma não tão subtil, e a E.T. ou Indiana Jones. A história, no entanto, não surpreende. Mas também não é surpresa que se espera de um filme deste género.

 

 Depois do filme, algo completamente diferente (mas só para mim): os alunos saíram com os professores e todos falaram como se de uma saída de amigos de longa data se tratasse. Foi, provavelmente, das saídas mais interessantes que já fiz em Weimar. Definitivamente, a minha vida académica em Weimar rege-se por padrões bem diferentes dos portugueses. Mas era disso que eu vinha à procura, e é essa uma parte da definição de "Erasmus".

Definitivamente, gosto da Alemanha.



publicado por Undómiel às 14:27
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
The Reader / Der Vorleser ou A primeira ida ao cinema em Weimar

Ontem fui pela primeira vez ao cinema na Alemanha. Fui sozinha e estive sozinha. Assim se vê quão pequena é a cidade de Weimar. Fui às 17h15 (sim, eu sei que também não é a melhor hora, mas mesmo assim...) a um cinema muito peculiar, não muito longe da minha residência, ver, dobrado em alemão, The Reader, o filme que deu o Oscar a Kate Winslet.

 

Para começar, o facto do cinema ser "peculiar" já deixava adivinhar uma sessão de cinema, também ela, "peculiar". Depois, quando percebi que ia assistir sozinha, a sessão passou de "peculiar" a "quase surreal". 

O cinema onde fui é este. Instalado numa antiga fábrica, é qualquer coisa entre o cinema oita em Aveiro e a Lx Factory. Basicamente, é um sítio que eu descreveria como "buéda indie".

Cheguei ao edifício mesmo em cima das 17h15. Pensava que o filme estaria a começar, afinal os alemães são muito pontuais. Não. Depois de entrar na fábrica, passando por umas grandes cortinas pretas misto de cortinas de teatro e cortinas de entrada de igreja, deparo-me com um pequeno hall com um bar do lado direito, cartazes dos filmes em exibição do lado esquerdo e mais nada. Nem uma viv'alma. Digo "Hallo". De repente surge, numa varanda que me tinha passado despercebida, por cima do balcão do bar, um homem. Ele diz qualquer coisa em alemão, que eu não percebo, e desaparece. Espero alguns segundos e procuro uma maneira de chegar ao novo patamar de onde o senhor tinha aparecido. Encontrei. Depois do balcão há umas escadas. Subo. Encontro o senhor. Ele fala um pouco de inglês. Estava ali sozinho, a enrolar negativos. É ele que faz tudo ali. Trata da projecção, dos bilhetes e de tudo o resto. Disse que gostava de ver o filme. Ele disse "sabes que é em alemão, não sabes?". Eu sabia. Vendeu-me o bilhete e explicou-me onde era a sala. Entrei noutra porta econdida do hall onde a história começou, perto das cortinas, passei por um corredor iluminado por luzes cor de laranja, à moda do Pedro Cabrita Reis e entrei na sala de cinema propriamente dita. A sala não era muito grande e os bancos azuis eram confortáveis. Estava absolutamente vazia. A sessão ia mesmo ser só para mim. Sentei-me mesmo por baixo da janelinha onde nascia a projecção. A sessão e Der Vorleser foram só para mim.

Desde o tempo dos Power Rangers que não via alguma coisa dobrada durante tanto tempo. Como o meu alemão ainda está num estado embrionário não percebi nem metade daquilo que se disse no filme, mas percebi a história. Percebi tão bem que chorei. Nesse momento pensei "ainda bem que vim sozinha e ninguém vai gozar comigo por estar a chorar".

 

Der Vorleser ou The Reader é um filme que faz muito mais sentido visto na Alemanha e em Alemão. O filme deveria ser em alemão, na verdade. A acção é repartida por uma série de locais na Alemanha de anos diferentes. Pela primeira vez assisti a uma proposta de dilema relativamente ao Holocausto, uma afirmação do poder de manipulação da literatura, do cinema ou do amor, não sei bem. O que é certo é que, pela primeira vez, o nazismo não foi encarado de maneira simples e extremista, mas sim como uma coisa complexa que tem muito que se lhe diga e diferentes abordagens. Um tema que é universal e alemão, um tema que faz sentido depois de visitar um campo de concentração, mesmo que não Auschwitz, e perceber melhor o que foi o Holocausto. Quem não visitou sairá da sala de cinema, creio, impressionado, incomodado e tocado. Eu saíria, mesmo que não aguentasse o filme todo e assistisse apenas à sequência em que o protagonista visita Auschwitz. Aí senti, por vezes, que estava a ver mais do que precisava. Mas não. Eu precisava de ver aquilo tudo para que o filme me tocasse como tocou. O senhor Stephen Daldry sabe o que faz.

 

Quando o filme acabou, depois de uma boa dose de créditos para secar as lágrimas, saí da sala. Na varanda estava o senhor a espreitar, para se certificar que eu já tinha saído da sala para poder parar a projecção. Eu disse "Danke. Der Film ist sehr gut!" e ele respondeu "schön!". E fui para casa feliz, debaixo de um belo e quente fim de tarde.



publicado por Undómiel às 13:03
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Domingo, 15 de Fevereiro de 2009
Waltz with Bashir

Mas que filmaço! Decerto, um dos melhores dos últimos tempos. Em duas palavras: arrebatador e brutal. Brutal em vários sentidos. Por um lado, extraordinário e, por outro, é brutal no verdadeiro sentido da palavra, de brutalidade, de realidade. Waltz with Bashir lembrou-me de uma maneira extremamente desconfortável que existe uma realidade, noutra parte do mundo, que eu ignorava ou queria ignorar. A guerra.

Como diz a maria, "todos vivemos numa bolha" e agora percebi  quão pequena e cor-de-rosa é a minha. A guerra existe mesmo, não é só uma memória de pessoas como o meu pai que acabam por tornar as suas histórias em coisas leves e engraçadas. A guerra é uma coisa brutal, pessoas como cada um de nós, membros de famílias como as nossas morrem. E isso não é nada cor-de-rosa. E perceber isto é fazer silêncio quando o filme acaba e sentir-se pequeno, irrelevante e vazio. Foi assim que me senti quando as letras amarelas dos créditos começaram a percorrer o ecrã e é por isso que Waltz with Bashir é um grande filme.

 

Ainda não vi mais nenhum dos filmes candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro, mas este é já merecedor do prémio.



publicado por Undómiel às 20:34
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