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Sexta-feira, 4 de Março de 2011
Oscar e eu, versão gourmet

Aviso: o título pouco ou nada tem a ver com o conteúdo que se segue.

 

É curioso que, agora que estou a 2819 Km de casa (cálculo google maps), consumo produtos portugueses de qualidade superior àquela dos produtos que consumo correntemente em Porugal. Isto porque, por qualquer razão, a minha mãe insiste em enviar-me coisas quase gourmet vindas do país de Camões.

 

Por isto, quando receber um prémio importante na minha vida e tiver direito a um tempo de discurso à la Oscares, uma coisa vou incluir, com certeza, nesse discurso: um grande agradecimento à minha mãe. Até aqui nada de novo, toda a gente o faz. No meu caso, no entanto, o agradecimento vai ser um pouco mais específico. Vou agradecer à minha mãe por, enquanto eu morava em Copenhaga, me enviar os melhores queijos de Portugal.



publicado por Undómiel às 14:15
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Terça-feira, 12 de Outubro de 2010
Nova habitação

Hoje cheguei à universidade as 8h41min - 11 min atrasada para a aula das 8h30. O que significa que, como estou mais de 10min atrasada, tenho de esperar até ao intervalo para entrar. Tenho, por isso, uns minutos de ócio que vou aproveitar para descrever a minha nova situação habitacional em Copenhaga.

 

Vivo, agora, a 5 minutos da universidade, num apartamento meio aborrecido com 3 outras pessoas, uma casa de banho minúscula e uma cozinha que merecia ser maior, apesar de ter a mais valia de ter móveis amarelos. O meu quarto é, como já tinha dito, enorme e cheio de luz natural. O especial da nova casa são a casa de banho - que não é assim tão especial para padrões dinamarqueses - e os meus colegas de casa.

 

O apartamento tem 3 quartos, sem sala (era o que agora é o meu quarto) e vivem lá 4 pessoas, 2 delas no mesmo quarto. Os 2 que vivem no mesmo quarto não são um casal, são 2 irmãos polacos, amigos da dona do apartamento que formam um par de personagens que eu classificaria como "sinistras". A história deles é o interessante e assustador acerca da nova casa.

Eles mudaram-se os 2 há pouco tempo para Copenhaga e vivem ali graças à gentileza da dona do apartamento, também polaca e amiga deles. Em troca, creio que tratam do cão da rapariga. O cão, que completa o cenário, é pequeno, meio salsichudo, e chama-se "coc chic" - um nome cómico quando dito no meio de uma conversa em inglês. O terceiro rapaz lá de casa chama o bicho apenas de "coc"...

Os polacos trabalham em horários estranhos - começam às 01h e terminam cedo pela manhã mas durante o dia andam pela casa meios zombies. Um deles é cabeleireiro e, de vez em quando, recebe pessoas em casa para lhes cortar o cabelo. Quando isso acontece, o espectáculo acontece no meio da pequena e amarela cozinha. O segundo polaco tem quase 40 anos e 2 filhos e uma ex-mulher que deixou na Polónia. É uma personagem muito sinistra. As conversas que tem comigo são normalmente forçadas mas, apesar disso, decidiu que eu me parecia com uma rapariga polaca desesperada por casar e começou a atirar-se a mim. Diz, frequentemente, coisas como "estás livre no próximo fim-de-semana? Posso levar-te a algum lado?". Isto deve ser a coisa mais assustadora que já me aconteceu. Felizmente, ele fica-se pela conversa, ainda assim, ele conseguiu transformar a minha vivência no apartamento pequeno com um quarto gigante numa das experiências mais desconfortáveis de sempre.

 

Acontecem-me coisas mesmo estranhas, às vezes...



publicado por Undómiel às 08:00
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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2010
2009 - o balanço

Eu tinha dito que não ia fazer um balanço de 2009 mas, como acabei por pensar nisso, cá está ele.

 

Os anos pares sempre foram, para mim, mais amorosos que os anos ímpares. 

talvez por isso, a palavra que usaria para descrever o meu 2009 seria "aventureiro".

 

Mundialmente, 2009 foi o ano, diria eu, de Obama e da Susan Boyle. Pessoalmente, 2009 foi o ano das viagens, o ano da emigração, o ano em que votei duas vezes e o ano em que fui ao Algarve pela primeira vez. Não foi mau, não.

3 meses e meio em Portugal, 5 meses na Alemanha e outros 3 e meio em Espanha com visitas à Holanda, Hungria, República Checa e Reino Unido pelo meio; 5 casas diferentes durante um ano; uma viagem por Portugal como guia turística de uma simpática latino-americana e um bocadinho de voluntariado. 

Muitas pessoas novas, muitos exemplos de vida, muitas histórias mas poucas novas amizades para a vida.

 

 



publicado por Undómiel às 21:32
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Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Oh, Portugal!

As saudades eram realmente gigantes. De tal maneira que me deu vontade de por num frasquinho todos os sinais de portugalidade com que me fui deparando ao longo destes dias, pequenos pormenores que, noutras condições, me teriam passado, certamente, despercebidos. Mas não há frasquinhos de memórias e, se os houvesse, não os poderia transportar na bagagem de mão, de modo que sou obrigada a guardá-los na memória e/ou aqui.

Além dos sinais de portugalidade, também as rotinas se tornaram deliciosas e recheadas de sentido. Portugal, ao contrário do que diz a canção de Coimbra, não tem mais encanto na hora da despedida, tem mais encanto na hora do regresso.

 

Ganham estranhas proporções as pequenas coisas como o senhor do café que se mete com os clientes, canta músicas infantis que toda a gente conhece e diz que são do "seu tempo"; o grupo de homens de várias idades, com os mais velhos barrigudos, que se deslocam de camioneta para fazer torneios de malha com almoço incluido. Almoço que, em vez de piquenique, é um almoço a sério, com direito a sopa e vinho em canecas (coisas de plástico não são "à homem"), tudo isso servido por uma poderosa mulher, única entre dezenas de homens, mas com o poder de "os por na linha", à boa maneira portuguesa. Ai ai. Que saudades! E a praia, ainda que ventosa! E a chuva de Aveiro! E as tardes passadas sentada no sofá a olhar para a televisão, as refeições preparadas pela mamã, as histórias dos professores da maninha, ouvir falar do barqueiro do Rio Zêzere que ainda está activo (talvez ainda faça a travessia num destes dias), o mercado da terrinha, os jantares de estudantes, conhecer montes de gente quando se sai à noite, saber onde estão os produtos no supermercado, conhecer as marcas, conduzir, apanhar laranjas e limões, dormir num colchão decente, as torradas nos cafés, o café que sabe a café!...

 

Oh, Portugal!



publicado por Undómiel às 00:32
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Terça-feira, 21 de Abril de 2009
Regresso a Portugal

 Volto a Portugal, que é como quem diz, a casa, daqui a 3 dias. Não podia estar mais ansiosa. Desde que comprei o vôo que faço a contagem decrescente. Há quase uma semana que comecei a fazer a mochila, mesmo que só possa transportar 10Kg e a mochila não seja assim tão grande. Obviamente, já a fiz e desfiz umas quantas vezes. E hoje vou voltar a desfazer. E talvez não seja a última vez.

Sinto-me uma criancinha. Vendo bem, não estou fora assim há tanto tempo. São quase 2 meses mas com visitas a velhos amigos pelo meio. A ansiedade talvez não devesse ser tanta. Por outro lado, como dizia a senhora Judy Garland, "there's no place like home", seja qual for a definição de "home" que adoptemos, caso queiramos enverredar por caminhos mais filosóficos. Espalhadas por Weimar há umas quantas sugestões...

Ainda não vi nenhum dos meus colegas estrangeiros em Weimar desesperados por ir para casa. Devo ser, realmente, muito jovenzinha de espírito, dependente ou fraca. Mas não caibo em mim de contente. (Como se pode depreender por este post deficiente de conteúdo.)



publicado por Undómiel às 19:53
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