pesquisar   


Quarta-feira, 18 de Março de 2009
Buchenwald

 

Buchenwald foi, entre 1937 e 1945 um campo de trabalhos forçados. Lá morreram, de forma mais ou menos natural, pessoas de diversas proveniências, incluindo portugueses. Hoje pouco resta dessa altura. Na verdade, eles já nem chamam ao espaço "campo de concentração de Buchenwald", chamam-lhe "memorial às vítimas de Buchenwald". Mas o espaço, como lhe chamei, é mais.

Este terá sido um dos primeiros campos d concentração, diria eu, já que está localizado na região de onde partiu Hitler para o resto da Alemanha. Nesta altura, Weimar era a capital do Nazismo. O que é interessante porque a Bauhaus era aqui. As letras do portão de Buchenwald, onde se lê, em alemão, "cada um por si", têm uma fonte Bauhaus. (ainda não descobri a explicação). É extraordinário que o campo é enorme e muitos dos prisioneiros trabalhavam na cidade de Weimar e, ainda assim, a cidade parecia indiferente às atrocidades ali cometidas. No dia da libertação pelas tropas americanas a população de Weimar disse desconhecer aquilo que realmente se passava dentro da cerca de arame farpado. História muito mal contada. Realmente, quando o guia nos perguntou de quem era a culpa do genocídio responderam "Hitler", "SS" e "todos aqueles que apoiavam o partido Nazi". Cada vez mais me convenço que a culpa é, principalmente, do último grupo. Em Buchenwald houve toda uma população a compactuar com os Nazis e com as atrocidades de Buchenwald.

 

Mas Buchenwald hoje não tem a aparência que tinha em 1945. Weimar e Buchenwald, depois do fm da guerra, passaram a fazer parte da parte soviética da Alemanha. Os russos utilizaram, também eles o campo. Primeiro destruiram uma boa parte dos edifícios porque "não se adequavam à história que os soviéticos queriam contar" e depois usaram uma pequena parte como prisão para prisioneiros políticos e outros, inocentes, por outras palavras, nazis e inocentes. Alguns morreram de fome ou doença. Esta fase, no entanto, já foi bem mais escondida que a anterior. Não era bom para a imagem dos soviéticos. Ainda durante a sua ocupação, Buchenwald foi usado como forma de propaganda comunista, enaltecendo as vítimas comunistas do campo. Graças à queda do muro, hoje sabemos isto. Hoje o campo conta as histórias dos tempos do Nazismo e do Comunismo, ambos épocas negras da história da Alemanha e da Europa.

 

Não longe do portão principal existe hoje uma placa, monumento de homenagem às vítimas. A placa é aquecida para estar à temperatura do corpo, coisa estranha de sentir num ponto alto, ventoso e frio da região. Diz muita coisa, este monumento.

 

É uma experiência e pêras esta visita. Não é fácil, é informativo e impressionante.



publicado por Undómiel às 00:12
link do post | comentar | ver comentários (3) | adicionar aos favoritos

Segunda-feira, 16 de Março de 2009
Weimar - outra parte

 A primeira semana de verdadeira actividade em Weimar foi bem recheada. Aconteceu tanta coisa que sinto que estou em Weimar há um mês e não há uma semana.

Segunda-feira foi o grande encontro com os outros exchange students, teste de alemão e tour por Weimar. Nós, estudantes estrangeiros na bauhaus, somos ainda uns quantos e vimos de países como Austrália, USA, Itália, Noruega, Inglaterra, Escócia, Canadá e Irlanda. Eu sou a única portuguesa este semestre. Já encontrei o outro estudante português na Bauhaus, é arquitecto e está aqui desde o semestre passado. A maioria dos estudantes estrangeiros, como este rapaz, são arquitectos. Ainda não encontrei mais ninguém que vá fazer o mesmo curso que eu.

Durante o resto da semana houve alemão todos os dias pela manhã, Bowling numa das noites, Ópera + saídaatétardecomdireitoadançaetudo noutra das noites, saída com jantar simples, e saída com jantar em restaurante Turco.

 

No sábado fomos todos a Leipzig, onde quero voltar mal possa. É uma cidade grande que, como eu gosto, concilia arquitectura moderna com arquitectura antiga. Tal como Weimar, uma boa parte foi destruída durante a 2ª Guerra Mundial. Tal como em Weimar, o centro da cidade foi reconstruído fielmente àquilo que estava antes. 

Fui à igreja onde Bach, que viveu em Weimar, tocou/dirigiu o coro diversas vezes. E estive na igreja onde muitos dizem ter começado o movimento que tornou possível a queda do muro de Berlim.

Parece que na Alemanha, onde quer que se vá, se respira história. Ontem vi o "Australia" com alguns dos meus compinchas. O filme passa-se na altura em que a 2ª Guerra rebenta. Aqui senti-me mais próxima da história, mais consciente, um pouco, até, responsável. Uma das minhas compinchas americanas é judia. Até agora, a 2ª guerra era, para mim, uma coisa distante. Agora é uma nuvem que paira constantemente, como se de repente me apercebesse de quais foram os dois lados envolvidos. E é um pouco assim. E ainda bem. Amanhã vou a Buchenwald. Aí vou perceber até que ponto cresceu essa minha "consciência".



publicado por Undómiel às 13:29
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos

Quinta-feira, 12 de Março de 2009
Weimar - uma parte

Agora já não faz sentido tratar a coisa dia-a-dia.

 

Os primeiros dias, sexta, sábado e domingo, foram bastante secantes e solitários. Passei imenso tempo na residência.

No sábado lá me convenci a passear pela cidade e tirar umas fotografias, sempre de mapa na mão. Acho que já tenho preparação para ser turista profissional. Weimar é, definitivamente, uma cidade muito bonita, mesmo debaixo de um céu cinzento. E, segundo o que descobri no domingo, é também uma cidade cheia de história. E é engraçado perceber que os autóctones sabem disso e são muito orgulhosos da história da sua cidade mas, por outro lado, parecem ter um sério complexo ligado ao tamanho da cidade. Estão sempre a lembrar as pessoas que a cidade é pequena. No museu da cidade, onde fui no domingo de manhã, vi um escrito já do sec. XVIII, creio, que dizia algo que traduzido dá, mais ou menos, "Weimar, uma cidade pequena, mas uma cidade do mundo".

A cidade foi muito destruida durante a 2ª Guerra Mundial mas a reconstrução foi rápida. Creio que depois da queda do Muro de Berlim (Weimar estava na parte Oriental da Alemanha) houve uma reconstrução geral. Hoje é impossível dizer que edificios foram ou não reconstruidos. Há 4 anos atrás houve um incendio na biblioteca Ana Amalia, um importante edificio local. Hoje, é impossível adivinhar. Parece que a cidade procura esquecer as desgraças, como se não fosse por elas afectada. E isso é interessante. Não percam mais sobre a psicologia/sociologia de Weimar num próximo post...

 



publicado por Undómiel às 16:58
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos

A grande cruzada - parte 7

 A partir de agora os ports podem começar a ter nomes como "Weimar - parte 1". Agora sim, erasmus começa.

 

Na verdade, começou de uma maneira um tanto ao quanto "boring".

Quinta-feira de manhã, dia 5. Levantar muito cedo. Pequeno-almoço bem alemão, na pousada. Montes de pães diferentes, queijos diferentes e salsinhas. Sair 1h30 antes do previsto da pousada para procurar o international office. Sem mapa. Ligar para Portugal para saber a morada. Perguntar a pessoas pela morada. Não há muita gente na rua. Ninguém fala inglês. Afinal um senhor fala inglês. Chegar atrasada ao international office. Ouvir informações e planos para o mês que aí vem. Tratar de papeladas. Ir para outra ponta da cidade tratar de mais papeladas. Voltar a pousada para ir buscar as malas. Instalar na pousada. Puff. Impossível fazer mais alguma coisa depois de tantas voltas. Limpezas. Compras. E pronto.



publicado por Undómiel às 14:47
link do post | comentar | ver comentários (2) | adicionar aos favoritos

Terça-feira, 10 de Março de 2009
A grande cruzada - parte 6

O dia da viagem.

 

Acordar. Acabar mala. Preparar o farnel (que acabei por consumir também nos dias seguintes). Comboio até Utrecht. Obrigada Markl pela boleia, companhia e tecto.

Utrecht. Mudar de linha (o que é engraçado qd os avisos são em holandês e não se sabe holandês). Comboio até Frankfurt.

iPod não funciona. 4 horas de viagem sem iPod. Comboio muito fixe. Vontade de conhecer quase todas as cidades em que o comboio parou. Frankfurt. Fotografias à estação. Comboio até Weimar. Demasiadas horas sem iPod ou computador. O senhor ao lado cheira mal e bebe cerveja no comboio. Mudar de lugar (para o lugar que antes era ocupado por uma freira. Espero que não seja uma espécie de prenúncio.). Pôr-do-sol em Weimar. Pousada (a mais próxima da estação). Jantar sandes. Dormir.

Dia 0, portanto. Pouco para contar. 



publicado por Undómiel às 18:45
link do post | comentar | ver comentários (1) | adicionar aos favoritos