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Hoje apetece-me ter um blog.

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12 Out, 2010

Nova habitação

Hoje cheguei à universidade as 8h41min - 11 min atrasada para a aula das 8h30. O que significa que, como estou mais de 10min atrasada, tenho de esperar até ao intervalo para entrar. Tenho, por isso, uns minutos de ócio que vou aproveitar para descrever a minha nova situação habitacional em Copenhaga.

 

Vivo, agora, a 5 minutos da universidade, num apartamento meio aborrecido com 3 outras pessoas, uma casa de banho minúscula e uma cozinha que merecia ser maior, apesar de ter a mais valia de ter móveis amarelos. O meu quarto é, como já tinha dito, enorme e cheio de luz natural. O especial da nova casa são a casa de banho - que não é assim tão especial para padrões dinamarqueses - e os meus colegas de casa.

 

O apartamento tem 3 quartos, sem sala (era o que agora é o meu quarto) e vivem lá 4 pessoas, 2 delas no mesmo quarto. Os 2 que vivem no mesmo quarto não são um casal, são 2 irmãos polacos, amigos da dona do apartamento que formam um par de personagens que eu classificaria como "sinistras". A história deles é o interessante e assustador acerca da nova casa.

Eles mudaram-se os 2 há pouco tempo para Copenhaga e vivem ali graças à gentileza da dona do apartamento, também polaca e amiga deles. Em troca, creio que tratam do cão da rapariga. O cão, que completa o cenário, é pequeno, meio salsichudo, e chama-se "coc chic" - um nome cómico quando dito no meio de uma conversa em inglês. O terceiro rapaz lá de casa chama o bicho apenas de "coc"...

Os polacos trabalham em horários estranhos - começam às 01h e terminam cedo pela manhã mas durante o dia andam pela casa meios zombies. Um deles é cabeleireiro e, de vez em quando, recebe pessoas em casa para lhes cortar o cabelo. Quando isso acontece, o espectáculo acontece no meio da pequena e amarela cozinha. O segundo polaco tem quase 40 anos e 2 filhos e uma ex-mulher que deixou na Polónia. É uma personagem muito sinistra. As conversas que tem comigo são normalmente forçadas mas, apesar disso, decidiu que eu me parecia com uma rapariga polaca desesperada por casar e começou a atirar-se a mim. Diz, frequentemente, coisas como "estás livre no próximo fim-de-semana? Posso levar-te a algum lado?". Isto deve ser a coisa mais assustadora que já me aconteceu. Felizmente, ele fica-se pela conversa, ainda assim, ele conseguiu transformar a minha vivência no apartamento pequeno com um quarto gigante numa das experiências mais desconfortáveis de sempre.

 

Acontecem-me coisas mesmo estranhas, às vezes...

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