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Terça-feira, 14 de Abril de 2009
A primeira aula a sério na Bauhaus - agora é que é verdade

Eu andava a dizer que as minhas aulas tinham começado na semana passada e que na terça-feira passada tinha tido uma aula a sério mas mentia. Hoje sim, foi a minha primeira aula a sério. Foi a minha primeira aula prática na Bauhaus.

Mais uma vez, o cenário é um quanto estranho.

Antes da aula prática tive a teórica. Nessa aula teórica estavam pessoas do primeiro ano e pessoas do terceiro. Antes de entrar na aula teórica perguntei a um rapaz com quem já tinha falado (e, por isso, sabia que falava inglês) onde era a sala onde era suposto acontecer a aula seguinte. Era do primeiro ano e não sabia. Estranho, porque o outro turno tem a aula na mesma sala. Whatever. Por acaso, na aula teórica, fiquei sentada ao lado de um rapaz que estava no terceiro ano. Sabia onde era a sala e até me disse o código necessário para lá entrar. O engraçado é que, agora, não é preciso código nenhum e podemos entrar com o nosso cartão de estudante que é magnético e, qual "abre-te sésamo", serve como chave para certas salas ou edifícios.

Amadorismos e desactualizações à parte, o edifício em que tive a aula podia muito bem ser uma casa de uma velhinha alemã daquelas que têm muitos gatos. Vizinho do edifício principal da minha faculdade e das garagens, a porta de acesso parece uma porta das traseiras. As escadas, com um ligeiro caracol têm como pavimento uma coisa que parece papel de parede, em tons de castanho amarelado com decorações mais escuras, bem à moda das velhinhas. Por debaixo há madeira. A casa tem algumas histórias para contar, o que faz com que cada passo nas escadas seja bastante sonoro. Depois das escadas há um corredor estreito e 2 portas. Uma delas é uma casa-de-banho, para meninos e meninas, também num estilo retro mas não colorido. A outra porta é a da sala onde tive a minha aula. E o ambiente que rodeia a porta não deixa adivinhar o que lá está dentro. A porta esconde uma sala jeitosa, bem iluminada, com muitos computadores e muito bem equipada. Todos Dell, Windows e Linux. Os alunos de media systems gozam com os macs. Usei o meu durante a aula, porque o meu login não funcionava nos computadores da sala, e tenho a sensação de que por vezes os meus colegas alemães faziam piadas em relação ao meu querido sistema operativo. Os professores ficaram surpreendidos por ver o DrScheme (compilador para Scheme) a funcionar num mac. Não fui exactamente um peixe fora de água, mas qualquer coisa tipo caranguejo no mar.

 

Eu achava que os professores que tinha em Aveiro eram, na sua maioria, bastante jovens. Hoje mudei de ideias. Os professores que tive hoje (estavam 4 na aula) eram todos ainda mais novos. Novos ao ponto de eu os ter visto, na semana passada, num bar local, a dançar de maneira peculiar. Só não foi um belo espectáculo porque a maneira peculiar como se movimentavam, próxima do que será ter ataques epilépticos, parece ser a maneira como todos os homens alemães se movimentam na pista de dança. 

Outra novidade foi o número de professores na sala. 4 professores. 10 a 15 alunos. Verdadeiro ensino personalizado. Eu até tive direito a tradução privada da introdução que fizeram à aula. E senti que durante toda a aula esteve sempre alguém a espreitar o que estava a fazer e a perguntar-me se estava tudo a ir bem. Nunca coloquei tantas questões numa aula. Isto realmente funciona. E outra coisa que acho maravilhosa no sistema de ensino aqui (não sei se é por ser alemão, ou por ser a Bauhaus ou por ser Mediensysteme) é que as datas não são assim tão importantes. Daqui a 2 semanas a aula é de apresentação dos exercícios resolvidos até então. Daqui a 2 semanas estarei em Portugal, "on vacation", como disse ao senhor professor. Problema? Nein! Ausência super desvalorizada "está bem, apresenta na semana a seguir ou então na semana antes, como preferires". Definitivamente, a Alemanha é fixe.



publicado por Undómiel às 20:49
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Comentários:
De walter a 15 de Abril de 2009 às 00:28
a resposta à tua ultima dúvida pode ser, talvez, por seres erasmus.


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