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Segunda-feira, 5 de Março de 2012
Às vezes...

Às vezes, como sou uma boa emigrante, dá-me a saudade. A minha saudade normalmente funciona como desejos de grávida e não é motivada por acontecimentos específicos, é, só, uma coisa que me dá.

Hoje, no entanto, deu-me a saudade depois da leitura de um parágrafo no Ipsilon online.

Quando estudava em Aveiro, o Ipsilon era o meu companheiro das viagens de comboio entre Coimbra e Aveiro. Depois, durante a minha curta estadia em Lisboa, foi o meu companheiro das viagens de autocarro entre o interior esquecido e a capital. Agora que estou emigrada, o entusiasmo é forçosamente diminuido. Há uns meses atrás ainda assinava o jornal e todas as sextas-feiras começava o dia com o Ipsilon. Agora, leio só quando o Facebook manda. Significa isto que, nos últimos tempos, o Ipsilon tinha deixado de ser o companheiro que fora em tempos. Daqui a minha surpresa com a reacção de hoje.

Sempre gostei especialmente do senhor Mário Lopes, que já escreve ali há bastante tempo. Mas desconhecia este poder "despertador da saudade" da sua escrita.

Nesse artigo sobre o amigo do violino e do assobio, o senhor Mário Lopes lembrou-me que nunca vou conseguir perceber bem um artigo de jornal numa língua diferente do português. Não só pela língua em si, mas pelas referências culturais, tipo de humor usado, e pela língua em si também. Em português eu percebo realmente o que significa a escolha de uma dada posição de uma palavra, a escolha de uma palavra específica, de um grau de um adjectivo, identifico as palavras "raras", etc.

Com isto tudo, o senhor Mário Lopes pode ser responsabilizado não só pelo despertar da saudade, mas também pelo despertar da saudade da comunicação mais (pelo menos aparentemente) eficaz. Já não sei quem é o académico que diz que a comunicação é um dos processos mais dificeis mas, seja quem tiver sido, tem razão.



publicado por Undómiel às 07:52
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