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Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
A minha primeira sauna

Estive, há umas semanas atrás, na Finlândia, país onde, dizem, nasceu a sauna. A ideia de entrar numa sala para transpirar, confesso, sempre me soou meio ridícula. De maneira que nunca tinha feito sauna. Apesar disso, quando viajo, acho importante reter o máximo da cultura do país de acolhimento. Por isso, experimentar a "verdadeira sauna" é obrigatório para quem vai à Finlândia. Nunca antes me tinha questionado realmente acerca dos efeitos e motivações que conduzem as pessoas à sauna. Resumidamente, sauna sempre foi uma matéria que me passou ao lado.

Antes do Natal, comecei a minha "educação para a sauna" com o filme Steam of Life. Este documentário mostra muito sobre o que é a sauna na Finlândia e foca aquilo que, também para mim, é o seu verdadeiro significado: as relações entre as pessoas.

A sauna não é só uma sala aquecida a lenha ou a electricidade onde as pessoas se sujeitam, nuas, ao calor e ao vapor para melhorar a circulação e purificar o espírito. Em vez disso, a sauna é um dos locais, talvez devido à temperatura, talvez devido à exibição dos corpos, onde as pessoas, normalmente frias, esquecem as normas escandinavas de relacionamento e falam abertamente sobre tudo, incluindo assuntos pessoais ou sentimentais.

É um cliché acusar de frias as pessoas da escandinávia e, especialmente, da Finlândia. No entanto, o cliché não é totalmente infundado. Não é que seja impossível aproximarmo-nos à primeira tentativa de um Finlandês, mas é certo que não é a coisa mais fácil do mundo ficar totalmente à vontade antes de estar com um finlandês umas quantas vezes. A regra muda, no entanto, se se fizer sauna com um finlandês.

Estive cerca de duas semanas na Finlândia, em férias. Passei cinco dias em Turku, a quinta cidade do país, e sete dias em Helsínquia. Comecei por Turku, Capital Europeia da Cultura. Aí, fiquei em casa de um casal, numa casa com sauna. Antes de ir não conhecia nenhum dos donos da casa.

Em Helsínquia estive num apartamento sem sauna, que partilhei com uma rapariga Finlandesa que tinha conhecido na Dinamarca. Já tinha estado com ela durante umas horas antes de passar estes dias com ela, em Helsínquia.

Mal cheguei a Turku, depois de jantar, fui fazer sauna, pela primeira vez, com a dona da casa e uma amiga dela. Nunca tinha falado com nenhuma delas. Uma vez na sauna, no entanto, a conversa fluiu estranhamente bem. Poucas horas depois parecia que sabiamos tudo umas sobre as outras. Os dias seguintes passaram rapidamente, já que havia sempre algo de que falar e a empatia criou-se de imediato, na sauna.

Em Helsínquia, pelo contrário, a conversa nunca chegou ao ponto de naturalidade da conversa em Turku, apesar de já conhecer a rapariga que me deu guarida. Com ela, mesmo ao fim de vários dias, a conversa soou sempre mais a monólogo e eu tive de me esforçar para evitar silêncios desconfortáveis.

 

Até agora, a sauna de Turku continua a ser a única que experimentei. De futuro, se voltar a experimentar, vou estar mais atenta a este poder oculto de aproximação das pessoas.



publicado por Undómiel às 12:13
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