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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008
Eleições americanas II

Definitivamente, e embora tal não me agrade, as eleições presidenciais norte-americanas dizem respeito ao mundo.

Como é costume, a campanha está a ser feita como se tratasse de um grande espectáculo de entretenimento que, se fosse em Portugal eu classificaria como "digno da TVI". Ainda assim, é uma coisa que me tem interessado.

No fim-de-semana passado os candidatos apresentaram os seus vices. Confesso que não li muito acerca de nenhum deles, ainda assim, há uma coisa que me intriga. A senhora Palin, a vice de McCain, que vende uma imagem de conservadora e religiosa e assim, tem uma filha de 17 anos grávida. Uma gravidez precoce e, ainda por cima, pré-casamento, parece-me que vai contra os valores que Palin apregoa. Numa terra que diz votar em função daquilo que cada candidato é, dos seus valores, parece-me estranho que se vá votar em alguém cujo número 2 diz defender uma coisa e, na realidade, parece transmitir outra àqueles com quem lida directamente, aqueles que aprendem a moral com ela, os seus primeiros 'eleitores'. Ou não? Será a senhora capaz de transmitir os seus valores a uma nação gigantesca quando nem na sua própria casa parece ser bem sucedida?

 

hum...

 

 



publicado por Undómiel às 22:31
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Comentários:
De Renata a 5 de Setembro de 2008 às 00:41
Apesar de em parte entender o teu ponto de vista, acho que também temos que ser mais abertos... A verdade é que com 17 anos uma pessoa já não reflecte apenas o que lhe foi transmitido pela família mas também o que absorver do exterior e aquilo que construiu por si. É uma das coisas que me custa ver em política: ver as pessoas serem "atacadas" a partir da sua família. E fossem todas as incongruências norte-americanas como esta!


De Rita M. a 6 de Setembro de 2008 às 12:52
Mas cara Maura..Desde quando é que as coisas funcionam assim? Nas últimas eleições norte americanas, passou-se exactamente o mesmo. Tinhas as filhas do candidato democrata, Al Gore, que até eram umas fixes, e depois estavam as doidas das filhas do Bush, umas drogadas que andavam a fazer render as clínicas de reabilitação. Os mais moralistas são os poires. Por isso este tipo de análise só serve para verificarmos o quão sem sentido são aqueles normais daqueles republicanos. Na minha terra há um senhor deputado que se mata só por ouvir falar em drogas, essa obra de belzebu (ninguém contesta, claro). O que nós também sabemos, é que ele e a restante familia , tiram a fome a muitos traficantes de coca.. É assim a vida pah.
Beijinhos!!!


De Undómiel a 7 de Setembro de 2008 às 15:03
É isso que me parece, que as coisas por aqueles lados e nas mentes dos amigos americanos não fazem muito sentido e não têm muita lógica. Não consigo mesmo percebe-los. Se não é pela retórica que, à partida, terá lógica, e pelos valores que se defendem, então por que é que os americanos votam em quem votam?


De Renata a 8 de Setembro de 2008 às 02:06
Talvez pelo mesmo motivo que em Portugal se vota em quem se vota: por falta de opção.


De Rita M. a 8 de Setembro de 2008 às 13:53
Cara renata, eu não diria por falta de opção, mas sim por falta de visão. Falta de opção é o que alegamos para nos desresponsabilizar-mos, porque a verdade é que a escolha é nossa e tomar um partido diferente do da maioria é doloroso e requer coragem. E a verdade é que a maioria dos cidadãos, quer portugueses, quer americanos, não o são em pleno, já que o seu conhecimento e sobretudo interesse em política é tão parco como o meu em quimica orgânica.


De Rita M. a 8 de Setembro de 2008 às 13:53
Cara renata, eu não diria por falta de opção, mas sim por falta de visão. Falta de opção é o que alegamos para nos desresponsabilizar-mos, porque a verdade é que a escolha é nossa e tomar um partido diferente do da maioria é doloroso e requer coragem. E a verdade é que a maioria dos cidadãos, quer portugueses, quer americanos, não o são em pleno, já que o seu conhecimento e sobretudo interesse em política é tão parco como o meu em quimica orgânica.


De Renata a 8 de Setembro de 2008 às 20:04
Concordo que o interesse em política, principalmente da minha (nossa?) geração é reduzido, mas falando por mim: sinto uma grande falta de opção sim. Os governos seguem-se e continuo a ouvir o mesmo nos telejornais - a palavra crise, a toda a hora. E a verdade é que em termos sociais os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez para ricos - e nisto nem sequer os amigos políticos comunistas conseguem combater, visto grande parte deles tb não dispensar um bom nível de vida!
Contudo, concordo ctg a um nível: Química Orgânica é realmente medonha, mas no fundo até é gira.


De Rita M. a 9 de Setembro de 2008 às 13:27
Cara Renata, antes de refutar ou mesmo responder ao teu comentário, preciso que me expliques melhor esta afirmação:
"e nisto nem sequer os amigos políticos comunistas conseguem combater, visto grande parte deles tb não dispensar um bom nível de vida!"; pode ser? obrigada


De Renata a 15 de Setembro de 2008 às 01:32
Desculpa a demora na resposta, só hoje vim cá. O que eu disse foi baseado numa reportagem que vi há cerca de 2 anos, numa revista (ja nao sei qual). No fundo, acho que muita gente se tenta demarcar com certas ideias mas na realidade acabam por viver todos da mesma forma. Reitero o que disse e o que já vi que discordas: acho que há uma grande falta de opção em Portugal. E pelas injustiças sociais que vejo (é neste sentido que te falo e não em termos puros de politica, pois os meus 20 anos ainda não me deram muito a conhecer nesta área - infelizmente, falha minha), acredito já em pouca coisa. Contudo, é algo que não critico abertamente, pois sou da opinião que quem critica se sente capaz de fazer melhor e de contribuir para que as coisas mudem - eu não sinto que tenha essa capacidade (ainda?). Espero que penses o contrário, pois com a agudeza do teu comentário talvez sejas uma das pessoas que fazem falta ao país. (sem ironia)
E acho que dou por terminadas as divagações pelo meu lado. A partir de hoje, o meu assunto volta a ser mesmo a química orgânica e seus amigos.


De Rita M. a 15 de Setembro de 2008 às 22:16
Bem, percebo-te, mas bom mesmo será quando conseguires fazer estas análises inteligentes a partir de uma verificação directa da realidade, ou seja, perceberes de uma forma mais próxima o funcionamento dos diferentes partidos, e chegar à conclusão que sim, são diferentes.
Quando te referes a vivências parecidas das diferentes pessoas, independentemente dos partidos e ideais (e atenção, é diferente!)...tudo depende do que falamos. Se falamos da recorrência a bens e serviços, não há grande volta a dar. O que fazer para não contribuir para a exploração do homem pelo homem? Boicotar os produtos/serviços das grandes multinacionais? E alternativas? Ou bem que sobrevives à base de produtos de primeira linha , e em vez de vestir H&M, cujos produtos são elaborados em países subdesenvolvidos e sem defesa de direitos humanos e laborais, ou compras Dior, e Channel, e Louis Vuiton, cujos funcionários são bem remunerados. (E memso assim não seria perfeito porque a divisão da mais valia não acontece). Mas isto é solução real? Podes sempre ir viver para uma comunidade naturalista para o meio de uma montanha, plantar legumes e linho, e viver à base disso. Mas aí estarias a ser puramente egoísta, a resolver a tua parte do problema, e a demitires-te do teu papel de cidadã. Direi que é pior a ementa que o soneto.
A diferença entre os amigos comunista e os outros, não é aqui que a encontras, porque acredito mesmo que alternativas coerentes neste sistema de capitalismo galopante, não há.
A diferença está sim, nos ideais, no que se acredita, e no que se faz para, passo a passo, tentar mudar as coisas.
Isto de que te falo, é o que faz com que centenas de comunistas portugueses abdiquem todos os dias da sua vida privada para ir a fábricas consciencializar os trabalhadores dos seus direitos, que leva jovens, muito jovens a abdicar de noites de sono para preparar acções de luta nas escolas; É o que leva muitos homens e mulheres a serem discriminados a vida toda nos postos de trabalho por se assumirem como tal, e por não terem vergonha de dizerem que e o são e porque o são, e porque sim, são incómodos, e porque sim, têm a coragem de fazer frente ás injustiças; É o que leva milhares de comunistas portugueses a dividirem os seus bens monetários com o seu partido, porque sabem que só assim se poderá realizar o debate em tal sitio, a reunião em cascos de rolhas. É o que faz milhares de comunistas fazerem longos Kms para ir a uma manifestação pela retirada das tropas Americanas do Iraque ou pela não reiteração do código laboral. E isto cara Renata, é a diferença, que existe porque parte de uma profunda consciência social e política, e garanto-te que não o encontras em mais lado nenhum. Dizer-te ainda que o que acabaste de ler não é apenas um aglomerado de frases feitas e estudadas para parecer bem. É a mais pura das realidades, que eu vivo de muito próximo, desde que me lembro de começar a Pensar.E bem, se aqui apenas vês chinês e acreditas que isto não muda nada, não sei que mais poderá mudar. O que vale, é que há quem acredite por muitos.
Pronto, de resto, boa sorte com a química orgânica, essa senhora!
Fica bem!


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